segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Há 2064 anos...

Há 2064 anos...



Nas próximas eleições, haverá renovação de 2/3 do Congresso.
Façamos uma faxina:
Nem esses, nem indicados por esses.
Não vote sem conhecer a história dos candidatos.
Não vote porque alguém pediu.
Se não tiver candidato limpo, vote nulo.

PATRULHAMENTO GERAL...


O primeiro jornalista a sofrer cerceamento do direito de bem informar, em conseqüência dos seus verdadeiros, contundentes e procedentes comentários contra os desmandos do atual governo, foi o Boris Casoi. De acordo com o noticiário da época, ele foi demitido a pedido do próprio Lula.

Entretanto aos olhos dos menos atentos, a coisa vem se agravando de maneira avassaladora e perigosa, senão vejamos:

O Programa do Jô tirou do ar (sem dar qualquer satisfação ao público) o quadro "As Meninas do Jô" que era apresentado às quartas feiras onde as jornalistas Lilian Witifibe, Ana Maria Tahan, Cristiana Lobo, Lúcia Hippólito e, por vezes, outras mais, traziam à público e debatiam todas as falcatruas perpetradas por essa corja de corruptos que se apossou do país. As entrevistas sobre temas políticos não têm sido mais levadas a efeito atualmente. Virou um programa de amenidades e sem qualquer brilhantismo.

O jornalista Arnaldo Jabor, considerado desafeto pelo governo atual, vem sofrendo, de forma velada e sistemática, todo tipo retaliação. Já foi processado, condenado, amordaçado e por aí vai. Sua participação diária, às 07:10 na Rádio CBN tem se limitado a assuntos sem a relevância que tinha, haja vista que está impedido de falar sobre assuntos que envolvam a política nacional e o atual governo.

A jornalista Lúcia Hippólito, que tinha uma participação diária, às 07:55 hs na Rádio CBN, não está mais ocupando o microfone da emissora como fazia e nenhum comunicado foi feito pelo âncora do horário, o jornalista Heródoto Barbeiro.
Sorrateiramente, colocaram-na como âncora em outro horário, onde enfoca matérias mais amenas e sem a habitual, verdadeira e procedente contundência.

Diogo Mainard, da Revista Veja, além de processado, vem sofrendo várias ameaças de morte por parte do jornal do MR-8 (que faz parte da base aliada ao Lulla) e de integrantes dos chamados "Movimentos Sociais".

O jornal "Estadão" de São Paulo está sob forte censura governamental há pelo menos 60 dias.

Pelo que se vê, Fidel Castro está fazendo escola na América do Sul.

O primeiro a colocar em prática estes ensinamentos, aniquilando o direito de imprensa foi Hugo Chaves, e pelo andar da carruagem o nosso PresiMENTE está trilhando pelo mesmo caminho.

Constitucionalmente:

Onde está o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO?
Onde está o LIVRE DIREITO DE MANIFESTAÇÃO?
Onde está a LIBERDADE DE EXPRESSÃO?
Onde está a LIBERDADE DE UMA NAÇÃO?

Leiam na íntegra o comentário feito pela jornalista Dora Kraemer, no Estadão de Domingo..

Destaca-se o seguinte trecho que transcrevo:
"Jabor faz parte de uma lista de profissionais tidos pelo Presidente Lula como desafetos e, por isso, passíveis de retaliação à medida que se apresentem as oportunidades."

Exame de vista Chinês...


Não consegue ler??

.... experimente puxar os cantos dos olhos como os chineses...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Quando a logotipo não sai como você imaginou...





Comunicado da diretoria para os funcionários...

Informamos que o funcionário deverá trabalhar vestido de acordo com o seu salário.
Se o percebermos calçando um tênis Nike e carregando uma bolsa de marca, presumiremos que vai bem de finanças e, portanto, não precisa de aumento.
Se ele se vestir de forma pobre, será um sinal de que precisa aprender a controlar melhor o seu dinheiro, para que possa comprar roupas melhores e, portanto, não precisa de aumento.
E se ele se vestir no meio termo, estará perfeito e, portanto, não precisa de aumento.

AUSÊNCIA DEVIDO À ENFERMIDADE
Não vamos mais aceitar atestado médico como prova de enfermidade.
Se o funcionário tem condições de ir até o consultório médico, pode vir trabalhar.

CIRURGIAS
As cirurgias são proibidas. Enquanto o funcionário trabalhar nesta empresa, precisará de todos os seus órgãos, portanto, não deve pensar em remover nada.
Nós o contratamos inteiro. Remover algo constitui quebra de contrato.

AUSÊNCIAS DEVIDO A MOTIVOS PESSOAIS
Cada funcionário receberá 104 dias para assuntos pessoais a cada ano. Chamam-se sábado e domingo.

FÉRIAS
Todos os funcionários deverão entrar em férias nos mesmos dias de cada ano.
Os dias de férias são:
01 de Janeiro,
07 de Setembro
e 25 de Dezembro.

AUSÊNCIA DEVIDO AO FALECIMENTO DE ENTE QUERIDO
Esta não é uma justificativa para perder um dia de trabalho.
Não há nada que se possa fazer pelos amigos, parentes ou colegas de trabalho falecidos.
Todo esforço deverá ser empenhado para que não-funcionários cuidem dos detalhes.
Nos casos raros, onde o envolvimento do funcionário é necessário, o enterro deverá ser marcado para o final da tarde.
Teremos prazer em permitir que o funcionário trabalhe durante o horário do almoço e, daí, sair uma hora mais cedo, desde que o seu trabalho esteja em dia.

AUSÊNCIA DEVIDO À SUA PRÓPRIA MORTE
Isto será aceito como desculpa. Entretanto, exigimos pelo menos 15 dias de aviso prévio, visto que cabe ao funcionário treinar o seu substituto.

O USO DO WC
Os funcionários estão passando tempo demais no toalete.
No futuro,seguiremos o sistema de ordem alfabética. Por exemplo, todos os funcionários cujos nomes começam
com a letra 'A' irão entre 8:00 e 8:20, aqueles com a letra 'B' entre 8:20 e 8:40, etc.
Se não puder ir na hora designada, será preciso esperar a sua vez, no dia seguinte.
Em caso de emergência, os funcionários poderão trocar o seu horário com um colega.
Os supervisores dos funcionários deverão aprovar essa troca, por escrito, mas há um limite estritamente máximo de 3 minutos no vaso.
Acabando esses 3 minutos, um alarme irá tocar, o rolo de papel higiênico será recolhido, a porta do box abrirá e uma foto será tirada.
Se for repetente, a foto será fixada no quadro de avisos da empresa sob o título 'Infrator Crônico'..

A HORA DO ALMOÇO
Os magros têm 30 minutos para o almoço, porque precisam comer mais para parecerem saudáveis.
As pessoas de tamanho normal têm 15 minutos para comer uma refeição balanceada que sustente o seu corpo mediano.
Os gordos têm 5 minutos, porque é tudo que precisam para tomar um 'Slim Fast' e um remédio de regime.

Como Irritar Cada Signo...


ÁRIES
Fale com ele dando uma enorme pausa entre as palavras.
Não deixe que ele fale, ou, se falar, corte pelo meio.
Diga como quer que faça as coisas e fique controlando.
Não demonstre paixão e aja como se você não gostasse dele.
Levante a voz cada vez que se quiser fazer entendido.
Dê uns cascudos na cabeça dele de vez em quando.
Lembre sempre que eles estão querendo aparecer e, no meio de um grupo, dirija-se a ele, advertindo: "Você fala eu, eu, eu, o tempo todo..."
Entre sem pedir licença e alugue o tempo deles numa segunda-feira de manhã.



TOURO
Gaste o dinheiro dele, peça para dar uma dentada no seu sanduíche ou na sua maçã, desperdice seu material, não devolva suas coisas.
Fale com ele bem apressado, pulando direto às conclusões.
Se estiver na casa de um deles, mude a posição dos objetos quando eles não estiverem olhando.
Se for possível, quebre estatuetas, bibelôs ou outros objetos de decoração da casa deles e depois pergunte: "Isto não tinha mesmo muita importância, não é?"
Encharque-se de perfume tipo "penteadeira de viúva" antes de andar ao seu lado.



GÊMEOS
Aborreça-o com lágrimas e longos monólogos sobre sua vida emocional.
Não converse com ele, em absoluto.
Monopolize-o numa festa de forma que ele não possa se movimentar e nem conversar com mais ninguém.
Repita sempre: "De onde você tirou essa idéia?"
Peça a ele para fazer menos movimento com os braços e com as mãos em público e quando iniciar um assunto, diga: "Isso eu já sei!"
Ou então: "- Lá vem você de novo!"
Abra a porta do quarto dele e berre: "Vai sair desse telefone ou não vai?"



CÂNCER
Pegue objetos da gaveta dele e não os reponha no lugar.
Insulte suas mães, com classe, é claro.
Critique sua casa.
Advirta-o de que ele pode perder o emprego ou que uma estrada está para ser construída, passando exatamente onde está situada sua casa.
Diga que aquela foto de família pendurada na sala é brega, e confunda o retrato da vovó querida com o Mike Tyson.
Critique todos os ex dele.
Jogue fora aqueles discos do Ray Coniff que ele coleciona junto com outras raridades.
Descubra aquele cantinho que ele gosta de ficar e dê uma geral, mudando tudo de posição.



LEÃO
Tente ensiná-lo alguma coisa que ele não saiba e dê uma gozada no final, como se fosse um completo ignorante.
Ignore-o.
Esqueça o nome dele e pergunte: Qual é mesmo o seu nome?"
Em público, não o apresente às pessoas importantes.
Deboche do seu gosto, da sua elegância e da sua aparência.
Quando estiver dramatizando um situação, ria quando o caso for triste e faça caretas quando contar uma piada.
Quando ele perguntar após a transa: "Foi bom para você?", responda: "Mais ou menos..."
Não preste atenção em nenhuma de suas histórias e depois diga:
"Desculpe, nem ouvi o que você estava falando."
Tire-o de cena, dizendo: "Depois você fala, tá?"



VIRGEM
Choramingue bastante.
Desarrume a casa dele, atrapalhe a sua programação e esqueça de atarraxar a pasta de dente.
Cheire feito um gambá.
Diante do armário do banheiro, indague: "Para que tanto remédio?"
Faça xixi na tampa da privada ou, de preferência, no chão, em volta do vaso.
Critique o jeito dele se vestir.
Diga que aquele dentinho torto é um charme.
Use os vasos de planta dele como cinzeiro e enterre os palitinhos de fósforo na terra.
Depois de abraçá-lo longamente, revele que você está fazendo um tratamento contra piolho.



LIBRA
Diga bastante: "Isso é com você, decida logo!"
Leve-o a locais feios.
Aja de forma grosseira em público, tire melecas, arrote, fale palavrões, vire cerveja na mesa, chame o garçom pelo nome, peça pizza de alho e depois tente beijá-lo.
Critique seu parceiro.
Recuse-se a debater com ele.
Dê para ele um CD do Tiririca.
Faça piadinhas do tipo: "Com este vestido você fica parecendo a garota propaganda da Ultragaz."
Peça sempre para ele descer do muro e se assumir.



ESCORPIÃO
Faça perguntas pessoais.
Saiba muito sobre ele e dê a entender isso.
Obtenha mais sucesso do que ele e se vanglorie disso (isso mata qualquer escorpiano).
Repita sempre: "Isso não é da sua conta!"
Abra e remexa suas gavetas.
Escreva coisas na sua agenda em código e depois deixe que ele a encontre por acaso.
Cochiche com outras pessoas olhando para ele e rindo de vez em quando.



SAGITÁRIO
Dê a ele muitas responsabilidades.
Coloque realismo na sua filosofia.
Nunca ria das piadas dele.
Não tope nenhuma aventura ou quebra de rotina e esteja sempre de mau humor.
Quando pintar aquela aventura, diga com ar entediado: "Não estou a fim..."
Não aceite nenhum tipo de disputa ou jogo.
Repita sempre: "Isso são horas?"
Faça tudo para impedir aquela viagem de férias dele.
Faça insinuações sobre a pouca cultura dos pais dele ou de outros familiares.



CAPRICÓRNIO
Organize tudo para que ele se sinta inútil.
Lembre-o da sua baixa posição social.
Embarace-o em público: faça escândalos, berre com ele e brigue com o caixa por causa dele.
Deixe-o esperando e nunca chegue na hora marcada.
Perca ou esqueça coisas importantes que ele confia a você, como documentos, chaves ou a carteira.
Repita sempre:"Você não tem responsabilidade!" (nada chateia tanto um capricorniano como ser chamado de irresponsável)
Insinue que ele está saindo com a chefe para crescer na empresa.
Repita, de tempos em tempos: "Você é um chato!"



AQUÁRIO
Torne-se pessoal e íntimo.
Ao encontrá-lo, dê um longo abraço e fique apertando-o contra o peito, emocionado, lacrimejante.
Insista para que ele ligue várias vezes ao dia para posicioná-lo de seus movimentos.
Mude-se para a casa dele.
Faça-se passar por burro e tapado e ainda queira ter razão.
Diga a ele o que ele deve fazer, quando e como fazer.
Exiba seus valores materiais na cara dele, tipo carro, jóias, dinheiro e posição social.
Pergunte sempre: "O que é que você está pensando?"
Cite seus amigos sempre pelo nome e sobrenome.



PEIXES
Diga para ele se agarrar a si mesmo.
Marque um encontro com ele num local brilhante, barulhento e superpovoado.
Deixe-o falando sem parar e depois diga que não entendeu nada.
Grite, fale aos berros.
Conte os seus segredos e deixe-os ficar emocionados com a sua sinceridade.
Depois ria e pergunte: "Mas você acreditou nisso?"
Convide-o para olhar as estrelas e fale sobre alíquotas de exportação e importação o tempo todo.
Arranhe o CD do Djavan dele, apague o cigarro no cristal que ele usa para meditar, deixe cair sua máquina fotográfica e sublinhe os livros que pegou emprestados dele.
Escolha filmes violentos.
Repita sempre que este negócio de romance, flores e bombons é tudo coisa de boiola.
E pergunte sempre: "Você não vai tomar banho antes de dormir?"

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Nova versão para o filme do Lula...

Saiu uma nova versão, olha só:



Um filme de Fábio Velho Barreiro! Breve em todas as biroscas e botequins do Brasil.

E temos uma imagem exclusiva do filme, quando o Lula ainda era um bebê:


Ainda sobre o filme, temos uma charge atualíssima:

Loucura da TAP no Aeroporto de Lisboa na Semana do Natal de 2009...

Cliquem no link abaixo e vejam a DELICIOSA loucura que a TAP promoveu no aeroporto de Lisboa na semana de Natal...

http://www.youtube.com/watch?v=rWjZX57QQDY

Suriname e maroons, outras informações...

Você certamente leu alguma coisa sobre os ataques maroons aos imigrantes brasileiros em Albina, Suriname. Mas você provavelmente, como eu, sabia muito pouco sobre o Suriname e sobre os maroons. Sou especialista em imigração brasileira, então fiquei realmente interessado em saber o que aconteceu em Albina. Depois de uma rápida pesquisa e uma troca de emails com o prof. Richard Price (especialista em populações Maroons), veja o que encontrei:
O Suriname foi uma colônia holandesa e sua população é dividida entre os de “cor clara” e “escura”. Os primeiros são os descendentes dos colonizadores e constituem a parte maior da elite. Os segundos são descendentes de Indianos, javaneses e escravos africanos, trazidos todos como força de trabalho nas plantations. Entre os “escuros” os descendentes dos escravos (maroons) são os que mais sofreram as agruras da colonização. Apesar da variedade étnica, o Suriname sempre foi visto como uma sociedade “etnicamente” tranquila.

Albina fica no extremo leste do Suriname, próximo ao mar do Caribe, fazendo fronteira com a Guiana Francesa. Fica no distrito de Moroowijne, do qual é capital. Faz fronteira com a Guiana Francesa, separada pelo rio Maroni. Do outro lado da fronteira, a cidade mais próxima é Saint-Laurent-du-Maroni, capital do Distrito de mesmo nome na Guiana (dividida em apenas dois distritos) e cuja população é em grande parte maroon emigrada do Suriname.

A população de Maroons no Suriname não é comparável ao que conhecemos como “Quilombolas”, basicamente porque lá os quilombolas não foram completamente derrotados nos séculos 17 e 18. Em 1762, o governo branco reconheceu os quilombolas Saramaka (um dos grupos de maroons) como negros livres: podiam viver livres no interior e recebiam dinheiro de “proteção”, para não atacar as plantações dos grandes fazendeiros (muitos deles eram Judeus Portugueses, que fugiram do Brasil). Também o grupo chamado de Ndyuka (1756) assinou acordo com os plantadores (leste do Suriname). Em 1767, o grupo Matawai também fez acordos com os platandores. É como se o quilombo de Palmares não tivesse sido derrotado e os plantadores de cana começassem a pagar tributos a Zumbi.

Os outros dois grandes grupos então existentes continuaram a ser perseguidos (Boni/Aluku e Kwinti). Percebe-se já a diversidade que o nome “maroons” esconde. Há vários grupos (e depois outros dois surgiriam: Paramaka e os Broos-Maroons) e com status políticos diferenciados. Aqueles que atacaram os brasileiros são, provavelmente, os Ndyuka, Matawai e Paramaka. Os autores costumam fazer uma divisão entre maroons do oeste (Saramaka, Matawai e Kwindi) e leste (Ndyuka, Boni, Paramaka, Broos-Maroons). Havia os que recebiam impostos e os que continuavam sendo caçados. Há de se convir que o desenvolvimento histórico desses grupos é diferente. E os maroons do oeste ficaram mais livres, enquanto os do leste continuaram mais perseguidos (Albina é no extremo leste). Muitos destes maroons do leste acabaram migrando para a Guiana Francesa, onde formam um grupo considerável, que prospera sob a cidadania francesa concedida para alguns (mas migrantes maroons não documentados continuam chegando).

retirado de Hoogbergen e Krujit (2004)

Arte maroon

A situação social dos maroons no Suriname tem piorado ao longo da vida como república independente (a partir de 1975). Desde lá, dois golpes militares e uma guerra civil (1986-1992, onde principalmente os Ndyuka combateram o governo central) comprometeram muito a vida dessas populações. O interior do Suriname é praticamente autônomo e o governo central tem pouca ingerência (mas Albina fica ao leste, não tão no interior). O país tem vivido um processo de devastação por madeireiras e minas de ouro (mercúrio etc.). É nessas minas que os conflitos com grupos de estrangeiros têm se desenvolvido: com brasileiros, garimpeiros, e com chineses, comerciantes. Albina é terra de fronteira.

Desde o final da guerra civil, os garimpos de ouro têm se desenvolvido num cenário de faroeste. Localizados principalmente em terras maroons, esses garimpos levaram milhares de brasileiros ao Suriname, num esquema de exploração que conhecemos de longa data: exploração intensa, sem nenhum cuidado com o meio-ambiente, caráter absolutamente predatório. O cenário de encontro dos brasileiros e maroons é um cenário sem estado, onde quase todos andam armados.
Veja a situação: uma região habitada por maroons que foram perseguidos até meados do século XX, e profundamente pauperizados; pouca presença do Estado; um dos grupos de maroons foi o principal ator na guerra civil; desenvolvimento selvagem de minas de ouro e outros negócios de caráter ilegal (drogas, contrabando). Essa população maroon provavelmente está descontando uma insatisfação secular em cima de novos grupos (brasileiros e chineses, principalmente). Não me parece que a ação tenha sido contra os “brasileiros”, mas antes, que os brasileiros é que pagaram o pato de uma conta ancestral.

Segundo Richard Price, que gentilmente me respondeu emails no primeiro dia do Ano novo, essa violência é resultado da Guerra civil, associada à chegada dos garimpeiros. O Estado abandonou em larga escala a parte leste do pais depois da guerra, deixando-a para o senhor da guerra Ronnie Brunswijk e seus seguidores (principalmente Ndyuka). Os conflitos entre garimpeiros e Maroons ao longo do Marowijne intensificaram essa situação. Segundo Price não há registro desse tipo de violência em larga escala contra estrangeiros. Maroons são pessoas muito pacíficas, embora desde a guerra civil uma geração de jovens homens tenha crescido sem escolas e sem muita esperança no futuro, tendo se direcionado para o tráfico de drogas (entre Suriname e a Guiana Francesa).

Mas o que me chamou mais a atenção na cobertura desses eventos trágicos foi a preguiça da imprensa, por um lado e a tendência conservadora e xenófoba, por outro. Esse resumo acima eu fiz a partir de alguns textos do Richard Price e Win Hoogbergen, antropólogos especializados em comunidades Maroons no Suriname e na Guiana Francesa. Os textos estão disponíveis num ótimo site dele e da esposa (Sally Price) e em periódicos de livre acesso. Custou um dia de leitura irregular, mas um jornalista sério poderia ter feito um trabalho de organizar essas informações e tentar montar um quadro que ao menos desse uma idéia do que aconteceu. Nada – ficamos apenas com resumos sobre a situação do Suriname a partir do texto da Wikipédia, pronto.
A tendência conservadora é mais complicada: primeiro os maroons são tratados como selvagens e ponto. Como se desastres como esse nunca tivessem acontecido no Brasil (ou como se imigrantes bolivianos não fossem escravizados por imigrantes coreanos em fábricas clandestinas de roupas no Brás, que depois abastecem lojas de grandes magazines). Por outro lado é sempre a mesma coisa do pensamento geopolítico da direita: se qualquer país vizinho faz alguma sacanagem com brasileiros imigrantes, a revolta é intensa. Bolivianos querendo expulsar brasileiros? Sem terra paraguaios invadindo terras de agricultores brasileiros no Paraguai? Que horror!! O discurso vem babando para cima da diplomacia brasileira, que “não faz nada”. O que os caras querem mesmo é que o Brasil mandasse umas tropas e resolvesse a história na porrada (houve afirmações textuais nesse sentido no caso da crise boliviana com a Petrobrás).
Agora, quando o problema com imigrantes é na Europa ou EUA, bem aí a direita não fala nada, afinal fica envergonhada de uns pobres brasileiros fazendo feio nos países de ricos. Não se fala muito da xenofobia que se alastra na Europa contra brasileiros em específico. Em Portugal a mídia chegou a inventar um arrastão nas praias de Carcavelos só para culpar brasileiros do fato, uns anos atrás.

Assim, ficamos apenas desinformados, alimenta-se um estereótipo contra o Suriname, não se dá a conhecer algo mais profundo sobre a presença de brasileiros no Suriname (e também na Guiana Francesa). Se você quiser mesmo saber algo sobre o que está acontecendo, certamente não descobrirá na mídia brasileira.

Em 12 segundos apenas...

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